:   PROJET AMASOJ



Projeto Cinema na Floresta

SURUÍ


1969
50%
dos Suruis
morrem de doenças
após

contato
com o homem branco



RESPEITO A TERRA MÃE
Declaração de
Almir Narayamoga Surui



Chefe da tribo Gamebey Surui
Coordenador geral da Organização
Metareila do Povo Indígena Surui

Projeto PAMINE fase 1     
Relatório de atividades
2005-2006


* Responsável pelo projeto: Almir Narayamoga Suruí
* Organização: Organização Metareilá do Povo Indígena Suruí.

1.1 – O Projeto Pamine

O projeto visa o reflorestamento das terras degradadas (pasto e capoeira), para preservar a nascente de um igarapé e enriquecer a floresta com espécies úteis às aldeias Suruí.


Os Gamebey determinaram, juntamente com o engenheiro florestal, os locais a serem reflorestados: uma zona de pastagem ao redor de uma nascente e uma área de floresta degradada, totalizando 16 hectares.

Construção da Maloca do Centro de Formação e de Pesquisa Indígena –Yananbi Gameb

Nas proximidades da Maloca do Centro de Formação e Pesquisa Indígena “Yananbi Gameb”, foram produzidas as mudas de espécies não disponíveis no mercado de Rondônia, tais como: patuá, tamboril, açaí e tucumã.

Algumas mudas foram compradas ou doadas e outras produzidas através do plantio de sementes.

Brotos de Copaíba.

Plantio das sementes.

Mudinhas depois de algumas semanas.

Um cuidado constante e a satisfação de ver a vida brotar.


Tabela 1 – Distribuição das mudas por espécies e por zonas

Superfície (Ha)

Espécie

Quantidade de mudas

Usos

04

Pupunha

359

Artesanato.

4,95

Açaí

710

Alimentação e construção de casas.

03

Mogno

295

Re-introdução da espécie extinta pela exploração das madeireiras.

0,50

Patuá

90

Alimentação e comércio do óleo.

0,40

Coco

50

Alimentação e comércio das frutas.

0,05

Tamboril

23

Alimentação e pesca.

0,05

Bacaba

10

Alimentação e manutenção da biodiversidade.

0,05

Cerejeira

10

Manutenção e manutenção da biodiversidade.

0,05

Acerola

10

Alimentação e comércio das frutas.

02

Babaçu

232

Alimentação e construção de casas.

0,05

Manga

13

Alimentação.

0,40

Caju

48

Alimentação e manutenção da biodiversidade.

0,20

Copaibeira

30

Medicinal.

0,05

Cacau

10

Alimentação e manutenção da biodiversidade.

0,05

Carambola

05

Alimentação.

0,20

Camu-camu

20

Alimentação e manutenção da biodiversidade.

0,05

Biriba

10

Alimentação. 

0,05

Graviola

10

Alimentação.

0,05

Goiaba

10

Alimentação.

0,05

Tamarindo

05

Alimentação.

16,20 ha

 

1950

 







Tabela 2 – Origem das mudas

Origem

Quantidade

Comprado no comércio

380

Produzido no Centro de Formação e Pesquisa Yananbi Gameb

608

Doação da Associação dos Produtores Alternativos (APA)

830

Doação da Associação Kanindé

133

TOTAL     

1.950




Clique no mapa para ampliar
Mapa das plantações


1:

2:

3:

4:

5:

A coordenação geral do projeto é de Almir Narayamoga Suruí.

Outros responsáveis e parceiros:

• Tesoureiro da Organização Metareilá: Renato Labiway Suruí, encarregado, juntamente com o Almir, da compra do material e das mudas.

• Secretário geral: Arildo Gapamé Suruí, encarregado dos recursos humanos e de apontar as dificuldades encontradas.

• Coordenador do plantio: Agamenon Gamasakaka Suruí, encarregado das obras preparatórias, do plantio e do monitoramento das mudas.

• Técnico agrícola: Miguel Surui; com o apoio do engenheiro florestal Luis Carlos Marreto da Associação Kanindé.

• A Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé deu apoio logístico e intermediou o contato com a APA (Associação dos Produtores Alternativos).

• A APA ofereceu 830 mudas de pupunha, açaí, mogno, cerejeira e bacaba.

• A APA se ofereceu para ajudar na comercialização dos produtos.  

O projeto é uma das prioridades da Organização Metareilá do Povo Indígena Suruí, no combate aos danos ecológicos sofridas pela terra indígena, após 18 anos de exploração pelas madeireiras. Visa proteger os recursos naturais da região e criar uma consciência ambiental no povo Suruí.


1.2 – Histórico das atividades do projeto

O plantio iniciou-se em 2 de janeiro de 2006, financiado pela Aquaverde, com o apoio da Associação Kanindé e da APA.

O projeto, além de recuperar parte da floresta degradada, deve permitir a formação dos índios nas técnicas de proteção ambiental, assim como seus aspectos jurídicos.

A Organização Metareilá deseja realizar um planejamento de longo prazo do uso dos recursos florestais e capacitar pessoal na produção de mudas.


2. – Resultados positivos do projeto
Do ponto de vista econômico e social, o projeto permitiu reforçar a ligação entre as aldeias, conscientizou os participantes da importância da preservação de suas terras, assim como da necessidade de adquirir conhecimentos e técnicas modernas.

Ele contribuiu na melhoria da qualidade de vida dos Suruí, através da renda obtida pelos trabalhadores e do aumento dos recursos naturais.

Algumas espécies, como a pupunha por exemplo, têm um crescimento rápido, o que deve proporcionar uma renda em 3 anos.

Do ponto de vista ecológico, o projeto permitiu recuperar áreas desmatadas, com solos ameaçados pela erosão. Também melhorou áreas de florestas secundárias e re-introduziu espécies valiosas na floresta primária.

O plantio de árvores irá acelerar o processo de equilíbrio ecológico, que seria muito lento se conduzido de forma natural.

Ele permite proteger os recursos hídricos, tanto em quantidade como em qualidade.

Em pequena escala, o crescimento das árvores participa do sequestro de carbono, diminuindo o efeito estufa.


3. – Pontos negativos do projeto
O orçamento do projeto foi sub-avaliado no que diz respeito à mão de obra, o que inviabilizou a participação de todas as aldeias.

Houveram dificuldades no transporte dos trabalhadores de algumas aldeias até os locais de reflorestamento.


4. – Origem dos trabalhadores

• Aldeia Tikãn - 7 pessoas
• Aldeia Lapetanha -18 pessoas
• Aldeia Mawira - 9 pessoas
• Aldeia Nova - 5 pessoas
• Aldeia Rio Quente – 5 pessoas
• Aldeia Linha 10 – 9 pessoas
• Aldeia Linha 09 – 8 pessoas

Total de trabalhadores: 61.

Apesar das dificuldades de transporte, tomamos providências para que todas as aldeias pudessem participar do projeto e se aproveitar dele. Os trabalhadores das aldeias participaram de todas as etapas do projeto

Participação das mulheres
As mulheres participaram da escolha e coleta das mudas.

Relação com a Aquaverde
Excelente.


5. - Conclusão

Precisamos de apoio e recursos financeiros para ampliar o projeto e estendê-lo a todas as áreas degradadas na Terra Indígena Sete de Setembro.

Almir Narayamoga Suruí

 

"L'Amour ne perd jamais le chemin de la maison"